Quando se acabarem minhas vidas e matarem o último de meus heróis por overdose,
Quando descobrirem todos os meus mais insondáveis segredos e apagarem minhas pegadas nas trilhas tortas que trilhei,
Quando eu já for menos que uma centelha luminosa vagando numa noite solitária e minhas lágrimas secarem na terra árida,
Quando tiver tanta saudade no peito que cada soluçar arranque um agudo e doloroso grito e minhas preces todas tiverem sido atendidas, mas meus feitos esquecidos,
Quando a tua certeza for tão fraca quanto o pulsar do meu coração ferido e não tiveres mais que uma cicatriz no peito,
Quando tuas dúvidas forem mais numerosas que as tuas dívidas e as razões pelas quais lutaste toda a tua vida não passarem de bobagem,
Quando tiver mais anos passados que horas de vida, e nossas vozes forem esquecidas,
Quando eu não for nada mais que um breve relâmpago em tua mente torpe,
Quando Caires da escada de tua nova casa e batendo tua cabeça de encontro ao chão, lembrares daquela palavra há muito esquecida,
Então, e só então, minhas divagações terão valido à pena, as duras penas.
Como cada segundo, se pensares bem, é valioso;
Se soubesses poupar o tempo ou se soubéssemos usá-lo bem;
Se soubéssemos discorrer os dias talvez isso nos trouxesse algum bem.
Pensando bem, quem quer viver sozinho para sempre!?
Tens medo de temer o medo e não agradar a ninguém;
Tens medo de viver a tua vida,mas não deixas que os outros a vivam também;
Tens tudo e de nada te serve ser alguém; tens tudo e de nada te serve viver sozinho sem ninguém.
Estás desesperado por quereres ser eterno para alguém.
Esqueces que a cada segundo menos, menos vives também.
E quando fores fogo de estrela caindo ao longe no mar já se apagando, meu nome gritarás tão forte, que o próprio tempo se quebrará.
Verás passar em câmera lenta, todas as oportunidades que deixaste escapar e cada dia que viveste se acabará numa nuvem de cinzas e pedaços de esperanças vãs.
Mergulharás tuas faltas junto com as minhas no teu próprio sangue, enquanto me arrancas de teu peito de uma vez.
Igor Furtado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário