As baladas frias ouvidas ao pé do ouvido;
As lágrimas salgadas e ferinas que feriam mais que adagas pontiagudas.
Trago comigo as marcas tantas de tantas outras feridas;
As palestras solitárias de mim para comigo;
As estrelas todas que vi e as nuvens de chuva a lampejar meus gritos na noite escura;
Fúria, medo, abandono e sonhos bobos.
Trago comigo as tantas intenções que tive e que morreram ao pé da árvore das esperanças vagas e vãs promessas;
As saídas criadas às pressas e as válvulas de estanque quebradas pela força do baque.
Trago comigo teu único sorriso franco e a beleza de teus dentes brancos que não me saem da memória;
A fotocópia da lembrança do próprio tempo;
O passado mal passado e pútrido regado a molho tártaro;
As amizades forjadas no calor da batalha.
Trago comigo tua face úmida e fria após o desapego repentino e frio;
A poesia nua gravada na tua alma cancerígena e perniciosa;
Teus desejos febris de leoa;
Tua criação burguesa e boa de menina pura;
Tua traição insana e imunda.
Por que???
Diabos te levem para longe de mim!!!
De que me serve ser tão rico, se não posso comprar um reles punhado de felicidade?
Trago comigo a indecência leve dessa cidade, esculpida pelas mãos da mocidade e enterrada na lama da maturidade;
A malandragem ordeira e a perplexidade;
A covardia de minhas poesias multiformes;
Meu apego que peguei no apagar das luzes que se apagaram de saudade...
Hoje eu trago comigo a imensa e louca vontade de gritar comigo mesmo.
Igor Furtado.
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