Com fios de sonhos, todos os dias teço, o pano do circo da minha vida. Onde sou apenas um pobre palhaço triste em busca de alegria ou um mágico tolo que perdeu sua magia.
No picadeiro de minhas lembranças frias, tuas faces tímidas e a solidão me fazem companhia. Sou um poeta trovador que esqueceu-se da poesia ou o domador do qual a fera ria.
No espaço em que padeço frio, cansaço e melancolia, respiro ares de insônia, enfado e monotonia.
Aqui jazem inertes os doces sorrisos das crianças de outrora; os olhares deslumbrados dos senhores e das senhoras, que um dia me contemplaram estupefatos.
Quão lindo fora o espetáculo de minha vida.
Agora sou o homem bala e seu canhão sem pólvora ou o urso de pelúcia, largado num canto juntando poeira.
O algodão de tão doce pode matar-me. Pois que agora sou um palhaço diabético e moribundo, sozinho no mundo a remendar a lona do circo das minhas ilusões e doces quimeras...
... mas então, enxugo minhas lágrimas, redesenho e reacendo o sorriso jubiloso do palhaço que em mim habita. Pois aconteça o que aconteça, o show tem que continuar...
Igor Furtado.
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