E de cima do mais alto arranha céu,
um anjo contempla saudoso e triste,
aquela a quem tanto amou.
Desejoso de ser também por ela amado,
entregou-lhe o coração como prova máxima de seu amor.
Contudo, foi por ela enganado, e agora, sem poder voltar atrás no pacto,
Vaga choroso e magoado para todo o sempre.
No vai e vem acelerado de todos nós, se perde em meio aos cruéis faróis
de tantos carros.
Esquecido, obsoleto e maltratado.
Do alto, ele a contempla, enquanto fina chuva cai, regando os risos de escárnio,
Os gemidos de delícias e as taras tantas as quais se entrega noutros braços
a sua amada.
Pobre anjo iludido;
Pobre louco varrido para as sarjetas;
Pobre poeta banido do doce sonho
do qual foi autor.
Entre as gotas de chuva,
esconde as lágrimas suas.
Os tormentos seus,
agora evidentes, não mais pode
suportar.
Arrancando as asas úmidas,
lança-se para baixo.
Já no duro asfalto, ainda agonizante,
rasteja aos pés da ingrata que o traiu.
Ela o vê e com um sorriso de triunfo,
derrama sobre o anjo as cinzas do coração
Para depois voltar aos braços e beijos
de quem a corrompeu.
Igor Furtado.
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